sábado, 10 de outubro de 2009

Revelação e Inspiração Divina

Pergunta inicial: Uma tribo de índios (que vivia na época do Antigo Testamento) nunca teve a oportunidade de ouvir a palavra de Deus, e talvez por isso, praticava todo tipo de iniqüidade. Essa tribo está condenada a morte eterna?

Sendo os seres humanos finitos e Deus, infinito, não podemos conhecer a Deus, a menos que ele se revele para nós, ou seja, a menos que ele se manifeste aos humanos de tal forma que estes possam conhecê-los e ter comunhão com ele.

Existem dois tipos de revelação divina: revelação geral e revelação especial.

- Revelação Geral: Deus se comunica a respeito de si mesmo a todas as pessoas de todos os tempos e de todos os lugares. Dá-se por meio da natureza (ex. por do sol), da história (ex. povo de Israel) e da personalidade do homem. Recebe esse nome porque é acessível a todos e porque seu conteúdo é menos detalhado do que na revelação especial.
O caráter de Deus é notado quando olhamos a natureza moral e religiosa do homem. Os humanos são dotados da capacidade de fazer julgamentos sobre o que é certo ou errado (independente da preferência pessoal). Além do mais, nota-se um conhecimento de Deus quando vemos povos que viveram sua vida toda isolados da civilização e mesmo assim crêem na existência de algum ser superior. Apesar de distorcida e desfigurada, todos têm uma percepção interna de Deus. O pecado deforma o testemunho da revelação geral. Deus nos criou, mas nossos pecados foram distorcendo o testemunho dEle. Além do mais, ele causa uma cegueira e escuridão do entendimento humano. A regeneração só ocorre quando somos expostos a revelação especial.

Referências bíblicas: Salmos 19.1-4, Romanos 1.18-23, Romanos 2.14-16, Atos 14.15-17, Atos 17.22-31, Genêsis 3.17-19, 2 Corintios 4.4


- Revelação Especial: abrange comunicações particulares e manifestações de Deus para pessoas específicas em épocas específicas. Passou a ser necessária, principalmente, após a queda do homem. Pois era necessário que o homem viesse a conhecer Deus de maneira mais plena. Mesmo assim, ela já existia antes da queda (Genesis 1.28).
Deus é um ilimitado em conhecimento e poder. Seria impossível irmos até Ele para conhecermos melhor. Por isso, Ele se revela a nós de forma compreensível para os humanos (nossa linguagem, nossos meios). Jesus é o maior exemplo dessa tentativa de Deus se revelar de uma forma que pudéssemos compreender, Ele se fez homem para vencer o mundo (Hebreus 1.1-3). Ele era a perfeita imagem do Pai (João 14.9)
Tentar compreender Deus só pela razão é como tentar resolver um sistema de equação de duas incógnitas e uma equação. É preciso a segunda equação, que se chama fé.
A revelação posterior é suplementar a revelação anterior, e não contraditória. Jesus não dizia pra ignorar a lei, falava: “Ouvistes que foi dito [...] Eu, porém, vos digo”


Inspiração


É definida como a influência sobrenatural do Espírito Santo sobre os autores das Escrituras, que faz com que seus inscritos sejam realmente a Palavra de Deus. Enquanto a revelação é uma comunicação vertical, a inspiração é uma comunicação horizontal.
Há casos de inspiração sem revelação, como exemplos há as genealogias. Provavelmente, não havia a necessidade de Deus revelar as genealogias citadas na Bíblia, talvez elas estejam ali por serem informações de fácil acesso. Existe também revelação sem inspiração. Muitas coisas são omitidas nas Escrituras, pois seria inviável registrar todas as revelações divinas (João 21.25).
Seria estranho demonstrar a inspiração divina das Escrituras, usando as palavras da própria Bíblia. Porém, temos caso de personagens do Novo Testamento testificando a origem divina das Escrituras (2 Pedro 1.20-21, 2 Timóteo 3.16). Podemos ver esses e outros discursos como de testemunhas em um tribunal, visto que Pedro e Paulo não estavam querendo mostrar que suas palavras eram palavras de Deus. O Novo Testamento também tem suas “testemunhas” (2 Pedro3.16).

Porque a Bíblia foi inspirada, podemos confiar que temos a instrução divina. O fato de não termos vivido quando ocorreram os eventos e os ensinos reveladores não nos deixa destituídos no aspecto espiritual ou teológico. Temos um guia seguro. E temos motivação para estudá-la intensamente, pois sua mensagem é a genuína palavra de Deus para nós.

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