Pergunta inicial: A idéia de anjo da guarda surgiu de onde? É algo mundano ou do meio cristão mesmo?
Esse assunto é de extrema dificuldade, não é por falta de citação na bíblia, pois só a palavra anjo é citada mais de 275 vezes na Bíblia. O grande problema é todas as citações são breves. Para facilitar o estudo, vamos dividir em algumas partes.
Terminologia: As palavras hebraicas e gregas equivalente a anjo são, respectivamente, mal’ak e angelos, que significam mensageiros.
Criação: Não sabemos quando os anjos foram criados, pois sua criação não é narrada no livro de Genêsis, mas certamente foi antes da queda do homem e foi por Deus (Salmos 148.2-5). Assim como toda a obra do Senhor, os anjos foram criados com a natureza santa. Também não temos evidência deles terem o livre arbítrio. O fato de alguns terem decaídos, não implica que eles tiveram essa escolha. Talvez fosse o propósito de Deus. São seres que não possuem corpo físico, a Bíblia indica que eles são espíritos (Hebreus 1.13-14). Além do mais, são inferiores a Cristo (Hebreus 1.5-6)
Quantidade: Novamente não se sabe ao certo quantos são os anjos, mas a Bíblia indica por diversas vezes que não são poucos (Mateus 26.53, Apocalipse 5.11). Muito provavelmente a quantidade de anjos é a mesma da época da Criação, pois eles não morrem (Lucas 20.36) e provavelmente não se reproduzem, pois não se casam (Marcos 12.25). A quantidade pode variar caso Deus crie mais anjos no decorrer da história, mas não há citação disso.
Personalidade: Eles não são oniscientes (1 Pedro 1.12, Mateus 24.36), mas são inteligentes (2 Samuel 14.20). Existe neles o sentimento de adoração (Lucas 2.13) e tem o conhecimento de que eles não merecem nenhuma adoração (Apocalipse 22.8-9). Alguns são santos e farão parte da segunda vinda de Cristo (Mateus 25.31, Marcos 8.38).
Sexo: Ao contrário do que muitos pensam, não há nenhum indício bíblico que diga que os anjos eram todos do sexo masculino. Pelo contrário, Zacarias 5.9 dá um leve indício de que há anjos do sexo feminino.
Atividades: Louvam e glorificam a Deus, em sua presença (Salmos 103.20, Apocalipse 7.11) e na terra (Lucas 2.13-14). Revelam e comunicam a mensagem de Deus (Atos 7.53, Gálatas 3.19, Hebreus 2.2). Protegem os crentes (Atos 5.19, Atos 12.6-11, Salmos 34.7, Salmos 91.11). Executam julgamentos sobre os inimigos de Deus (2 Reis 19.35, Atos 12.23).
Hierarquia: Existe uma hierarquia e divisão de tarefas entre os anjos. Por exemplo, sabe-se que os arcanjos (ex. Miguel) são mais importantes, existem aqueles denominados “primeiros príncipes” (Daniel 10.13), os serafins estão ligados à adoração (Isaías 6.1-3) e os querubins à santidade (Gênesis 3.22-24).
Anjos da Guarda: Todos nós (santos) temos anjos da guarda. Isso fica claro em alguns versículos (Mateus 18.10, Atos 12.15, Hebreus 1.14). Porém nenhum desses textos demonstra que existe um anjo separado para cada santo (não tratamos aqui de uma função bijetora). A idéia de anjo da guarda, parte do príncipio, já citado, de que uma das atividades nos anjos é nos proteger.
Demônios: São anjos que em determinado momento caíram na tentação. Não se sabe quando ocorreu essa queda, mas certamente foi após Deus ter criado o homem. A conseqüência da queda deles foi a vida no inferno (2 Pedro 2.4, Judas 6). São liderados por Satanás, que tem se empenhado em opor Deus (Mateus 4.1, Lucas 22.3). Sua queda ocorreu por tentar ser maior que Deus (Isaías 14.12-17). A principal estratégia é o engano (2 Corintios 11.14-15, Apocalipse 20.7-8) e estará sempre disposto a atrapalhar nossa obra (1 Tessalonicenses 2.18). Apesar de poderoso, ele é limitado a permissão de Deus (Jó 1.12)
Possesões Demoníacas: As possessões demoníacas existem sim, há vários relatos na Bíblia e nenhum versículo indica que deixaram de ocorrer em determinado momento. Elas são variadas: causam doenças físicas (Atos 8.7), força incomum (Marcos 5.2-4), loucuras (Lucas 8.27) ou comportamento autodestrutivo (Marcos 5.5). Há evidência bíblicas de que existe grau de gravidade na possessão (Mateus 12.45) e de que eles possam possuir animais também (Lucas 8). Importante salientar que Jesus sempre diferenciou doenças de possessões demoníacas (Lucas 13.32) e sempre frisou a importância da fé e da oração (Mateus 17.19-21).
Existe um grande dilema do quão importante é o estudo sobre possessões. A medida mais consciente seria não tratar o assunto com tanta importância ao ponto de desprezar outras formas sutis de influência do mal e nem com tanta leviandade ao ponto de fingir que isso não existe.
Porém, a lição mais importante que podemos tirar desse estudo sobre os anjos é que o conhecimento acerca dos anjos maus servem para nos alertar contra o perigo e a sutileza da tentação que se pode esperar das forças satânicas e nos faz perceber algumas estratégias do diabo. Ficamos alertas quando percebemos que até os anjos, que estavam perto de Deus, sucumbiram à tentação e caíram. Isso é um aviso para nós (1 Coríntios 10.12).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário