Pergunta inicial: Vimos no estudo de revelação que uma pessoa que não teve a oportunidade de ouvir sobre Deus também está condenado à morte eterna sem a fé. O que se pode dizer sobre as crianças? Se uma delas morrer ainda bebê estará condenada?
O estudo da doutrina do pecado torna-se importante para melhor compreensão de outras doutrinas como a salvação. Não podemos entender nossa salvação, sem antes não entendemos o motivo que faz com que nós necessitemos ser salvo. As Escrituras nos ensinam que todos pecaram (Eclesiastes 7.20, Romanos 3.23) e que a conseqüência desse pecado é a separação de Deus, ou seja, a morte espiritual (Romanos 6.23).
Porém, muitas pessoas têm distorcido a idéia de pecado. Muitos consideram pecado apenas algo de errado que fez em determinado momento e não compreende que o pecado é uma condição inerente, uma força interior. Jesus deixou bem claro que não peca só aquele que comete o ato, mas aquele que deixa seus pensamentos serem dominados por esse mal (Mateus 5.21-22 e 27-28). Além disso, peca também aquele que faz a boa obra, mas com o propósito errado (Mateus 6.2,5,16).
Aprendemos que uma das fontes de sofrimento é divina, mas isso não acontece com o pecado. De forma alguma podemos culpar Deus pela nossas tentações (Tiago 1.13-15). Deus planta algumas necessidades em nós. Por exemplo, temos a necessidade de comer e beber, mas a escolha por simplesmente suprir nossa necessidade ou transcender a necessidade é nossa. Deus ordena que dominemos o mundo (Gênesis 1.28) e indica que devemos tomar cuidado do que nos foi dado como posse (Mateus 25.14-30). No entanto, o desejo de adquirir bens se torna tão intenso que nos satisfazemos a qualquer custo. Nenhuns desses exageros são provenientes de Deus, é concupiscência da carne e dos olhos (1 João 2.16).
As conseqüências do pecado pode se dividir em três categorias:
Conseqüências que afetam o relacionamento com Deus: Desfavor divino (Provérbios 6.16-17, Tiago 4.4), punição reparadora (Hebreus 12.6), punição retributiva (Hebreus 10.30), morte física e espiritual (Romanos 5.12), morte eterna (Mateus 25.41-46)
Efeitos sobre o pecador: Escravização (Romanos 6.17), negação do pecado (Gênesis 3.11-12), auto-engano (Jeremias 17.9), insensibilidade (Mateus 12. 22-24), egocentrismo e inquietação (“Quanto dinheiro é preciso para satisfazer uma pessoa? R: Só mais um pouquinho).
Efeitos sobre o relacionamento com outras pessoas: competição (Tiago 4.1-2), rejeição da autoridade e incapacidade de amar.
Porém, nem tudo é tão simples assim, ainda mais quando entramos no assunto sobre a depravação total e o pecado original. A depravação total é um dos pontos do calvinismo. Eles afirmam que o homem após a queda tornou-se totalmente depravado e, portanto nada que ele faz sem a intervenção do Espírito Santo é bom. É verdade que vimos que até mesmo algumas boas obras sem a motivação correta é pecado, mas os textos utilizados por esses teólogos são claros ao mostrar apenas que somos inclinados ao pecado (Gênesis 6.5). Ser inclinado a algo não quer dizer que você sempre fará esse algo, por exemplo, o homem antes da queda era considerado uma obra boa de Deus e não só isso, ele era considerado a imagem e semelhança de Deus. Por isso, ele era inclinado a não pecar e fazer sempre a escolha correta, mas sabe-se muito bem que não foi isso que aconteceu.
Portanto, o que se deve entender desse termo é que somos totalmente incapazes de fazer uma quantidade de obras genuinamente meritórias o suficiente que nos qualifique para o favor de Deus.
Com relação ao pecado original a doutrina batista é bem clara e foi amplamente defendida por Agostinho. Ela ensina que Deus imputa o pecado de Adão aos seus descendentes por causa da relação orgânica e vital entre ambos. Adão representava a raça humana e o pecado dele era o pecado da raça humana. Após a raça humana ter pecado, Deus passou a nos reconhecer como uma raça que se revoltou contra ele e condenados. É preciso ter uma idéia de unidade da raça para compreender essa doutrina. Porque somos culpados por algo que não fizemos? Ora, o mesmo ocorre com nosso corpo, se os pulmões são tuberculosos e o corpo morre; os pés não têm do que se queixar, pois existe uma unidade aí.
Portanto, nascemos corruptos (Salmos 51.5) e somos condenados por isso, mas e as crianças? Elas não têm como arrepender-se do pecado de Adão. Acredita-se que elas serão salvas se morrerem antes de completar a idade ideal para discernir o bem e o mal (Mateus 19.14). Além do pecado original, elas cometem atos que aos nosso olhos são errados (ex. desobediência aos pais), porém a Bíblia é bem categórica ao afirmar que não pode ser julgado pela Lei quem não tem o conhecimento da lei (Romanos 2.12).
Apesar de toda essa nossa natureza corrompida, Deus continua a nos amar e através do sacrifício do seu filho nos ofereceu justificação (Romanos 5.19). Ele é capaz de, apesar das circunstâncias, nos considerar um homem segundo o coração dEle. Davi é o maior exemplo disso, ele matou, adulterou e cometeu inúmeros pecados que levou ele a escrever o salmo da penitência (Salmo 51) e mesmo assim era considerado um homem segundo o coração de Deus (1 Samuel 13.14).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário